O juiz James Donato recentemente deu uma mensagem clara: o Google terá que pagar o preço por seu controle monopolista sobre a loja de aplicativos do Android.

A decisão vem oito meses depois que um júri federal concluiu que as práticas da Google Play Store eram ilegais no caso Epic Games v. Google. Agora, Donato tem a tarefa de determinar as soluções, e ele deixou claro que o status quo não vai se manter.

A questão central do caso é como quebrar as barreiras que permitiram ao Google manter o domínio sobre a distribuição de aplicativos por meio de sua Play Store.

A Epic Games, que venceu o julgamento do júri em dezembro passado, propôs uma solução abrangente: abrir a Play Store para lojas de aplicativos rivais e dar a elas acesso igual a todos os aplicativos do Google Play.

Isso mudaria fundamentalmente a maneira como o ecossistema Android opera, permitindo que os usuários escolham onde obter seus aplicativos e quem lucra com seus downloads.

Decisão da loja de aplicativos Android do Google
O juiz Donato rejeitou a alegação do Google de que a abertura da Play Store poderia levar ao “planejamento central” (Crédito da imagem)

O confronto no tribunal

De acordo com A BeiraNo relatório do , durante a audiência final sobre os recursos, Donato foi firme em sua posição contra as objeções do Google. Ele rejeitou os argumentos da gigante da tecnologia de que abrir a Play Store seria muito custoso ou complicado, dizendo: “Vamos derrubar as barreiras, é apenas a maneira como vai acontecer”. Donato enfatizou que o cenário atual da app store é o produto da conduta monopolista do Google e que chegou a hora da mudança.

Surpreendentemente, tanto a Epic quanto o Google concordaram que abrir a Play Store é tecnicamente viável, embora tenham entrado em conflito sobre como isso deveria ser implementado. O Google argumentou que não deveria ser forçado a hospedar aplicativos de lojas rivais sem revisá-los primeiro, citando preocupações sobre conteúdo potencialmente prejudicial. O advogado principal do Google, Glenn Pomerantz, chegou a sugerir que forçar o Google a carregar lojas de aplicativos rivais poderia levar a uma forma de “planejamento central” que lembra o comunismo da era soviética.

E agora?

No entanto, Donato rejeitou essa linha de raciocínio, afirmando que não irá microgerenciar o Google, mas garantirá que os remédios levem a um mercado de aplicativos justo e competitivo. Ele planeja estabelecer um comitê de conformidade técnica e monitoramento, com representantes da Epic e do Google, para supervisionar a implementação dessas mudanças. Este comitê reportará ao tribunal a cada 90 dias, garantindo que o Google cumpra as novas regras.

A decisão final de Donato, esperada para daqui a duas semanas, pode marcar uma virada na forma como as lojas de aplicativos operam, sinalizando o fim do monopólio do Google e o início de uma era mais aberta e competitiva para os usuários do Android.


Crédito da imagem em destaque: Pathum Danthanarayana/Desaparecer

Source: Comportamento monopolista do Google leva a bombardeio legal